MINICURSOS

Atenção: a inscrição para os minicursos deve ser feita à parte na plataforma, após a inscrição no congresso.


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Os minicursos terão 1 ou 2 dias de duração e ocorrerão nos mesmos horários, sempre de 13h às 16h. Portanto, fique atento para não se inscrever em mais de um minicurso que ocorra nos mesmos dias. Confira na tabela abaixo:


Nome

Dia 06
Dia 07

Minicurso 1 - Espiritualidade e Saúde

Local: Anfiteatro da Faculdade de Administração

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Minicurso 2 - O uso da etnografia no estudo de religiões

Local: Sala B-III-17 (ICH)

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Minicurso 3 - O Ateísmo como Perspectiva de Futuro


Local: Sala 1 (Faculdade de Educação)


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Minicurso 4 - Slavoj Žižek e a religião : Introdução a uma Teologia materialista


Local: Sala D-02 (ICH)

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Minicurso 5 - A psicanálise e os futuros da religião: Freud, Pfister, Lacan


Local: Sala A-IIII-49 (ICH)

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Minicurso 6 - Mitos, ritos e símbolos na política: das Religiões Civis e Políticas à Antropologia da Política


Local: Sala A-III-06

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Minicurso 7 - Aspectos da História das relações entre religião, ciência e medicina


Local: Anfiteatro do Serviço Social

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Minicurso 8 - O papel de mindfulness como incentivadora de consciência social e ferramenta de resistência


Local: Sala 2 (Faculdade de Educação)


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Minicurso 1 - Espiritualidade e Saúde


Fábio L. Stern – Doutorando em Ciência da Religião (PUC-SP)

Resumo: Desde a década de 1990, quando a OMS incluiu o bem-estar espiritual em sua definição oficial de saúde, houve um aumento mundial no número de pessoas que passaram a estudar relações entre saúde e religião. O presente minicurso visa abordar essa temática pela perspectiva da ciência da religião e das ciências sociais, introduzindo a temática aos cientistas da religião. Isso se justifica porque embora o interesse por religião e saúde tenha crescido mundialmente, a ciência da religião não tem acompanhado essa tendência, ocupando um espaço diminuído no cenário de produções mundiais sobre a temática. O conteúdo programático abordará os seguintes temas: no 1º dia a definição de “religião” e “espiritualidade” apresentada pela OMS será problematizada pela óptica das teorias da ciência da religião. Diferenciaremos também nessa data healing de curing. No 2º dia trabalharemos com o modelo de Ngokwey, desenvolvido para o estudo de medicinas populares, aplicando-o ao estudo de etiologias religiosas. Serão também apresentadas brevemente outras teorias mais gerais das ciências humanas para o trabalho com espiritualidade e saúde: (1) eficácia simbólica de Lévi-Strauss (antropologia), (2) racionalidades médicas de Luz (sociologia), e (3) a classificação das curas espirituais de Andresen (ciência da religião).


Palavras-chave: Religião e saúde; Curas religiosas; Medicina não hegemônica; Ciência da Religião.



Minicurso 2 - O uso da etnografia no estudo de religiões


Waldney de Souza Rodrigues Costa - Doutorando em Ciência da Religião (UFJF)

Surgida no séc. XIX, a etnografia desenvolveu-se muito e revelou-se eficaz na produção de conhecimento. Tanto que passou a ser utilizada em variadas disciplinas. Nessa transdisciplinaridade surge o desafio de, na transição da Antropologia para outras disciplinas, inclusive a Religiologia [Ciência(s) da(s) Religião(ões)], manter os pressupostos do método. Esse minicurso propõe uma discussão sobre como isso poderia ser feito no estudo de religiões, quer efetivado no campo que lhe é específico ou em outros correlatos. Seu objetivo é sensibilizar os participantes a questões que têm sido debatidas no campo antropológico, a fim de que a aplicação da etnografia ao estudo de religiões seja minimamente responsável. Sua metodologia será basicamente aula expositiva aberta ao debate.

06/11/2018: Surgimento do método, principais técnicas desenvolvidas, críticas à escrita etnográfica e propostas etnográficas recentes.

07/11/2018: Problemas específicos do trabalho com religiões, crenças e descrenças de quem pesquisa religião e desafios éticos.

Palavras-chave: Metodologia de Pesquisa Qualitativa. Trabalho de Campo. Antropologia da Religião. Ciências Empíricas da Religião. Observação Participante.




Minicurso 3 - O Ateísmo como Perspectiva de Futuro


Gustavo Leal Toledo - Professor da UFSJ. Doutor pela PUC-Rio.

O mini-curso visa apresentar a visão e os principais argumentos do Ateísmo Contemporâneo, também chamado de neo-ateísmo. Este se constitui como posição metafísica e política baseadas, primordialmente, na laicidade do Estado, no secularismo e no neo-Darwinismo. Serão apresentados, então, a visão neo-darwinista da evolução da vida, bem como a visão geral da metodologia e do papel da ciência dentro da epistemologia contemporânea, tendo como foco situar o pensamento científico dentro do meio cultural humano. Feito isso, será construído o fundamento para entender as posições argumentativas que baseiam aquilo que há de novidade no ateísmo contemporâneo. Serão, assim, apresentadas algumas das posições e argumentos de autores ateus contemporâneos como Richard Dawkins, Sam Harris, Cristopher Hitchens, Daniel Dennett e Ayaan Hirsi Ali.

O mini-curso visa apresentar a visão de mundo neo-ateísta tendo como objetivo dar instrumentos para os estudiosos das religiões entenderem as posições destes e as principais questões que os cercam. Com isso, visa permitir o diálogo entre visões discordantes de mundo tanto para encontrar pontos de convergência quanto para delimitar de maneira mais clara os pontos de discordância. Será incentivado durante o mesmo que os alunos se posicionem e debatam de modo a não só ouvir passivamente as posições apresentadas, mas também criticá-las ou elogiá-las.

Conteúdo Programático (1 dia):
  • O Ateísmo Histórico
  • O Darwinismo e o Neo-Darwinismo
  • Algumas posições Epistemológicas sobre o lugar da Ciência no conhecimento humano
  • O Neo-Ateísmo
  • Debates Contemporâneos
Palavras-Chave: Neo-Ateísmo; Neo-Darwinismo; Laicidade




Minicurso 4 - Slavoj Žižek e a religião : Introdução a uma Teologia materialista



Fabiano Veliq - Pós-Doutorando em Filosofia na FAJE

O objetivo deste mini-curso é propor uma introdução ao pensamento do filósofo esloveno Slavoj Žižek sobre a religião. O nosso mini-curso tem em mente trabalhar como que o filósofo esloveno pensa a questão religiosa e como ele pensa a questão de Deus dentro do quadro contemporâneo. Para isso delimitamos o tema em torno dos escritos de Žižek sobre a religião na contemporaneidade. Uma forma de justificar tal mini-curso é o fato de que Žižek é conhecido por seu ateísmo e por isso mesmo se torna extremamente interessante pensar em que medida um filósofo declaradamente ateu pode contribuir para as discussões da filosofia da religião e da teologia nos dias atuais. Em uma primeira aproximação dos textos em que Žižek trabalha a questão religiosa já pode-se perceber que a sua metodologia para trabalhar tal tema se difere bastante de um mero “ataque” à religião ou aos religiosos; muito pelo contrário, Žižek demonstra um conhecimento bastante apurado da teologia cristã e em vários momentos traz reflexões tipicamente teológicas para corroborar seu ponto de vista. Obviamente que o interesse de Žižek é mostrar em que medida a religião funciona em seu aspecto ideológico e em que medida podemos falar de uma “superação” da religião, ou em uma “reconfiguração” da religião na contemporaneidade, no entanto ele irá propor o que costuma chamar de “Teologia materialista” que se propõe a uma releitura dos principais dogmas cristãos como “ressurreição”, “encarnação” sob uma ótica materialista. A proposta de Žižek se mostra um interessante diálogo entre Psicanálise, Filosofia e Teologia além de ser um importante autor para o debate da religião na contemporaneidade. O objetivo do curso neste sentido é oferecer uma introdução ao pensamento de Slavoj Žižek sobre a religião. O curso será dividido em duas grandes partes.

Cronograma:

O curso foi pensado para ser realizado em dois dias de forma que em um primeiro momento pretendemos realizar uma introdução ao pensamento de Slavoj Žižek evidenciando sua apropriação da filosofia de Hegel e da psicanálise de Lacan. No segundo dia a proposta é esclarecer como Slavoj Žižek pensa a religião e em que medida fala de uma Teologia materialista a partir de dois livros principais sobre o tema, a saber: ŽIŽEK, Slavoj. O Absoluto frágil. Ou por que vale a pena lutar pelo legado cristão?. Tradução de Rogério Bettoni. 1ª ed. São Paulo. SP. Editora Boitempo. 2015 e a obra ŽIŽEK, Slavoj. MILBANK, Jonh. A monstruosidade de Cristo: Paradoxo ou dialética. DAVIS, Creston. (org). Tradução de Rogério Bettoni. São Paulo. SP. Três Estrelas. 2014


Palavras-chave: Religião, Ateísmo, Teologia materialista, Filosofia, Psicanálise




Minicurso 5 - A psicanálise e os futuros da religião: Freud, Pfister, Lacan


Bruno Albuquerque. Psicólogo (IP-UERJ), mestre em Psicanálise (PGPSA-UERJ), doutorando em Ciência da Religião (PPCIR-UFJF)

Bernardo Sollar Godoi. Psicólogo (UNIVIÇOSA), mestrando em Ciência da Religião (PPCIR-UFJF)

Diante da proposta do III CONACIR para discutir “Os futuros da religião”, sentimo-nos convocados a compartilhar com a comunidade acadêmica os resultados parciais de nossas pesquisas de pós-graduação. Investigando as abordagens psicanalíticas do fenômeno religioso, concentramo-nos nas contribuições de Sigmund Freud, Oskar Pfister e Jacques Lacan. Podemos observar na obra desses autores reflexões originais e interessantes para o campo da ciência da religião, na medida em que, apoiando-se no edifício teórico-clínico da psicanálise, interpretam dimensões fundamentais da experiência religiosa a partir do estudo da dinâmica inconsciente.

Freud, que se autodenomina um “judeu sem Deus”, escreve na Viena de 1927 o livro “O futuro de uma ilusão”. Nele, sustenta que a ​crença religiosa ​é​ uma ilusão ​decorrente da experiência de desamparo fundamental, que mobiliza a projeção da relação ​ambivalente com o pai e deve ser​​ ​substituída pela ciência. A crítica freudiana da crença religiosa torna-se conhecida como uma das mais ferozes da contemporaneidade. Entretanto, muitas sutilezas fundamentais de sua argumentação são frequentemente desprezadas, desconsiderando-se não apenas ressonâncias com o conjunto de sua obra, mas também as especificidades que o autor confere à noção de ilusão e até mesmo sua atitude de abertura para que outros analistas proponham apreciações distintas da religião. Tais abordagens reducionistas por vezes deixam à margem o núcleo central da contribuição do criador da psicanálise: sua hipótese de que a religião possui raízes no desejo inconsciente.

Pfister​, pastor em Zurique, foi amigo de Freud durante três décadas, durante as quais dialogaram intensamente sobre as possibilidades e limites das articulações entre psicanálise e religião. Vivendo a fé cristã em sua inserção na comunidade protestante durante e após seu próprio percurso analítico, ele acolheu a metodologia psicanalítica em seu ofício como cura de almas. Defendeu a ideia de que a ciência e a psicanálise de modo algum se constituem como ameaças à religião, mas ​​servem como meios para desenvolver, depurar e ​torna​r​ a experiência religiosa mais madura e livre. O pastor-analista suíço responde à “declaração de guerra” feita à crença religiosa pelo mestre vienense com uma “controvérsia amigável”, intitulada “A ilusão de um futuro” e publicada com o consentimento de Freud.

Lacan, na Paris das décadas subsequentes, percorre uma via diferente. Ao contrário do posicionamento hostil de Freud em relação ao lugar ocupado pela religião na sociedade, tendo proclamado inclusive o seu fim, o mestre parisiense não está de acordo com o espírito iluminista, do qual o fundador da psicanálise foi herdeiro, que coloca a religião como um obstáculo a ser superado. Reconhecendo que sua presença no mundo é forte desde sempre e não tende a desaparecer, o psicanalista francês afirma que a religião “goza de um respeito universal”. Na conferência de imprensa que se tornou conhecida sob o título “O triunfo da religião”, ele destaca a poderosa função da religião enquanto doadora de sentido para o real, assim como a implicação da psicanálise e da ciência nesse enredo.

Viena, Zurique, Paris. Acompanhando esses três percursos, propomos avançar na discussão sobre a plausibilidade da religião nas configurações contemporâneas.

Data prevista: 6 e 7 de novembro de 2018.

Palavras-chave: psicanálise; religião; Sigmund Freud; Oskar Pfister; Jacques Lacan.




Minicurso 6 - Mitos, ritos e símbolos na política: das Religiões Civis e Políticas à Antropologia da Política


Prof. Dr. Heiberle Hirsgberg Horácio – Professor do curso de CRE da Universidade Estadual de Montes Claros

Prof. Dr. Daniel Albergaria – Associado a ABA (Associação Brasileira de Antropologia)

Considerando os processos de construção de representações políticas realizados pelos Estados, partidos, grupos e movimentos sociais, bem como as diferentes relações estabelecidas entre Estados e religiões, a heterogeneidade e as múltiplas percepções existentes em qualquer sociedade, e a compreensão de que a política não pode ser vista como um “dado a priori”, o minicurso pretende: a) apresentar perspectivas e autores que tratam sobre mitos, ritos e símbolos na política; b) apresentar os conceitos de Religião Civil e Política; bem como os autores que mobilizam tais conceitos e as experiências históricas que serviram como objetos de reflexão sobre a existência de religiões civis e políticas; c) examinar como os agentes sociais atribuem significados à política e à prática política - para atingir este objetivo serão mobilizados aportes da chave de leitura da Antropologia da Política -; d) exibir reflexões que articulam as diferentes perspectivas supracitadas e observam a relação entre os processos de construção de representações políticas e as atribuições de significados dos agentes sociais.

Palavras-chave: Religião, Política, mitos, ritos, símbolos.

Duração: 1 dia




Minicurso 7 - Aspectos da História das relações entre religião, ciência e medicina


Angélica Aparecida Silva de Almeida - Instituto Federal Sudeste de Minas Gerais – Campus Juiz de Fora

Alexander Moreira-Almeida - NUPES - Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde, Faculdade de Medicina, UFJF

Estudos recentes com base em fontes primárias têm questionado as narrativas simplistas de um inevitável e perene conflito entre ciência e religião. Os resultados têm demonstrado que estas relações têm sido, ao longo da história, bem mais complexas e multifacetadas. Este curso tem como objetivo proporcionar aos alunos e pesquisadores na área de Ciência(s) da(s) Religião(ões) algumas questões teórico-metodológicas atuais, visando conhecer e analisar algumas das principais tendências da historiografia contemporânea na área das relações entre religião, ciência e medicina. A fim de tornarmos o minicurso mais abrangente e didático, além de um panorama geral do tema, discutiremos alguns exemplos aplicados: como este tema se reflete nos livros didáticos de ensino médio e estudos de caso que refletem as relações entre ciência (medicina e psicologia), história e religião nos séculos XIX e XX, com impactos na prática científica, clínica e no cotidiano.
Terça 06/11
Quarta 07/11
Lucas Miranda - Mestrando Divulgação Científica Unicamp
Análise da relação histórica entre ciência e religião em didáticos de ensino médio
Prof. Alexander Moreira-Almeida
Breve panorama de mitos na história das relações entre ciência e espiritualidade
Pedro Resende
Doutorando Psicologia UFJF
Os fenômenos psíquicos na obra do psiquiatra Carl Gustav Jung
Profa. Angélica A. Silva de Almeida
Estudo de Caso: A psiquiatria frente aos fenômenos de transe e possessão

Bibliografia

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ALMEIDA, A. A. S. “Uma Fábrica de Loucos”: Psiquiatria X Espiritismo no Brasil (1900-1950). Campinas, 2007. Tese (Doutorado em História) – Unicamp.
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Minicurso 8 - O papel de mindfulness como incentivadora de consciência social e ferramenta de resistência


Ricardo Sasaki

Na última década temos visto a passagem das técnicas de “mindfulness” de um nicho estreito de praticantes de meditação buddhista para um avanço em diversas áreas da sociedade civil, passando a fazer parte da rotina de escolas, empresas e cidadãos comuns. Médicos e psicólogos as recomendam para seus pacientes, ‘coaches’ fazem uso abundante de seus princípios básicos, e o acúmulo das pesquisas científicas ratificam sua capacidade em diminuir o estresse e melhorar a concentração, habilidades que resultam em melhor eficiência no trabalho e maior harmonia familiar.
Paralelamente ao seu crescimento na sociedade vem porém uma onda crescente de críticas de que ‘mindfulness’ tem sido “comumente remodelada numa técnica banal e terapêutica de autoajuda”, uma caricatura jocosamente apelidada de “McMindfulness” por sua utilização em criar indivíduos apaziguados e satisfeitos com as condições em que se encontram.

Uma meditação que leva seus praticantes à paz interior, dóceis e passivos face aos dilemas éticos e à agressividade presente no mundo corporativo e na sociedade civil é, no entanto, um exemplo de descontextualização da finalidade libertadora e transformadora dos ensinamentos buddhistas de onde “mindfulness” se originou. Nas palavras de Bhikkhu Bodhi, um monge buddhista ocidental: “Na ausência de uma crítica social afiada, práticas buddhistas poderiam facilmente ser usadas para justificar e estabilizar o status quo, tornando-se um reforço do capitalismo de consumo”.
Neste minicurso buscaremos mostrar como “mindfulness” pode ser utilizada como forma de domesticação social que acabe por nutrir as raízes da ignorância, o que começa pela própria tradução em português como “atenção plena”. Mostraremos como ignorar os três momentos específicos da aplicação de mindfulness pode transformar a prática em mera atenção sem julgamento, que ofusca o discernimento ético e domestica seu praticante tornando-o um colaborador ‘compassivo’ e ‘presente’ do status quo ao invés de agente consciente de autotransformação e transformação social. Bem compreendida, “mindfulness” pode ser a ferramenta por excelência de resistência contra as forças opressoras do mundo da ganância, do ódio e da confusão mental.

Tempo de duração: 1 dia