MINICURSOS

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Minicurso 01 - Autonomia feminina: análises de retrocessos e avanços em espaços religiosos


Ana Luíza Gouvêa Neto - Doutora em Ciência da Religião pelo PPCIR, UFJF 
analu172@hotmail.com

Andiara Barbosa Neder - Doutoranda em Ciência da Religião pelo PPCIR, UFJF
andiaraneder@yahoo.com.br 

Gilciana Paulo Franco - Mestra em Ciência da Religião pelo PPCIR, UFJF
gilcifranco@yahoo.com.br 

A religião, como sistema de sentido, influencia na maneira dos sujeitos se reconhecerem na sociedade, fomentando a construção de identidades em contextos hierárquicos sexuais. Tais contextos, que se apresentam em trânsito perene, trazem intrinsecamente questões relativas a gênero e religião, questões essas que se definem histórica e socioculturalmente. Destarte, discutir as relações de poder que se constroem no interior dos espaços religiosos é a proposta deste minicurso, através da investigação e comparação das autonomias femininas na Umbanda, na Folia de Reis e na Assembleia de Deus-Missões, inseridas na Zona da Mata mineira. Pretende-se perscrutar os níveis de autonomias femininas no interior de cada um desses espaços religiosos com base nas pesquisas etnográficas realizadas pelas interlocutoras. Dessa forma, os deslocamentos empreendidos e engendrados em engrenagens aparentemente imóveis, levam à reflexão sobre a mobilidade e visibilidade das atuações femininas dentro dos contextos religiosos, caracterizados, muitas vezes, pelo tradicionalismo.

PALAVRAS-CHAVE: Umbanda; Folia de Reis; Assembleia de Deus – Missões; Autonomias Femininas; Gênero.



Minicurso 02 - História do Catolicismo de Preto


Márcia Souza – Professora (SEEDUC-RJ) 

Henrique Cunha Junior – Doutor (UFC) 

As populações negras no Brasil desenvolveram diversas manifestações sociais de fundo religioso de caráter cristão tais como as Irmandades de Homens Pretos ou Irmandades do Rosário dos Homens Pretos. As africanidades são de profunda religiosidade e organizam um catolicismo festivo e musicado de âmbito social na sociedade brasileira. O cristianismo foi profundamente difundido no território africano nas regiões de Etiópia, Núbia, Congo e Angola. Na sociedade brasileira essas africanidades reverteram-se em organizações e ritos cristãos que podemos generalizá-los sob o rótulo de Catolicismo de Preto.

O minicurso tem como proposta apresentar os aspectos conceituais e as expressões do catolicismo popularmente denominado, no âmbito da africanidade e afrodescendência, de catolicismo de pretos. Catolicismo profundamente comunitário, a estilo das manifestações sociais das sociedades africanas.

Conteúdo Programático:
  • Cristianismo na África.
  • Festas e ritos nas sociedades africanas.
  • A produção de cristianismo de pretos na sociedade brasileira.
  • As irmandades de homens pretos.
  • Santos negros na Europa e no Brasil.
  • Festas católicas: Congadas e Reisados.
  • Revoluções históricas: Canudos (Bahia) e Caldeirão (Ceará)
  • Implicações para os patrimônios culturais e identidades negras no Brasil.
Palavras-chave: História; População negra; Religiosidade; Catolicismo de Preto.



Minicurso 03 - Entrando no Círculo: compreensão e metodologia na pesquisa de grupos de Bruxaria e (Neo)paganismo


Dartagnan Abdias Silva - Doutorando em Ciência da Religião (UFJF) 

dartagnanabdias@gmail.com

Jéssica Aquino - Mestranda em Ciência da Religião (UFJF) 
psiquejf@yahoo.com.br

(Neo)paganismo é uma corrente religiosa contemporânea que revive antigas tradições étnico-religiosas. Esse reavivamento trabalha em um reencantamento do mundo, trazendo uma agenda religiosa que poderíamos considerar ecológica, feminista e em prol das diversidades. Podemos dizer que é um movimento de contracultura, uma contramodernidade dentro da própria modernidade. São religiosidades mágicas, encantadas, politeístas que trazem consigo um pertencimento e uma crítica iminente aos movimentos e religiosidades tradicionais e uma adesão e resistência à própria ciência. Esse minicurso pretende discutir temas voltados às metodologias de como se inserir e pesquisar esses grupos em sua privatização religiosa, resistência secular, fluidez constitucional; e caracterizados por forte errância religiosa entre seus adeptos. Apresentaremos, assim, (1) conteúdo introdutório sobre esses movimentos, e (2) discussão das metodologias testadas que apresentam certa (in)eficácia no decorrer das pesquisas despenhadas pelos coordenadores e por outros pesquisadores em nossa revisão bibliográfica. Pretendemos, portanto, contribuir e levantar discussões acadêmicas sobre esse tema de ainda poucas produções e auxiliar pesquisadores em movimentos religiosos similares. E desmistificar também percepções e constatações populares ou acadêmicas erroneamente perpetuadas ao longo dos tempos.

Palavras-chave: Paganismo, Nova Era, Bruxaria, Magia, Metodologias de Pesquisa.




Minicurso 04 - Liberdade religiosa, território e juventude institucionalizada: por uma prática profissional antintolerância


Dayana Christina Ramos de Souza Juliano 
Mestranda do Programa de Pós Graduação em Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGSS/UFRJ)

Vanessa Cristina dos Santos Saraiva 
Mestre em Serviço Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ )

Esta proposta é resultado de inserção profissional no abrigo institucional, conselho tutelar e atuação com jovens em organizações do terceiro setor em territórios marcados pela violência. Espaços perpassados também por disputas políticas, e diferentes denominações religiosas de cunho cristão e que tensionam o acesso aos direitos sociais, sobretudo, o de liberdade religiosa daqueles vinculados a matriz Afro Brasileira no momento em que esses grupos acessam os serviços públicos nesses distintos espaços. Nesse sentido, se faz necessário a instrumentalização de profissionais que atuam nas diferentes políticas sociais a fim de reduzir os índices de violação de direitos no campo religioso, assim como propiciar visibilidade a temática. Objetivamos evidenciar como a intolerância é um legado do racismo estrutural, repensar a atuação desses profissionais à luz do direito real, propor uma atuação contra a intolerância e instrumentalizar profissionais na tentativa de assegurar o direito à liberdade das crianças e das famílias. Por isso no decorrer do minicurso abordaremos as seguintes temáticas: O lugar da liberdade religiosa na política direcionada à infância e juventude: Panorama Internacional e Nacional. A Intolerância e a situação de crianças institucionalizadas e os mecanismos de combate à intolerância religiosa nas diferentes instituições e territórios.

Palavras-chave: liberdade religiosa, juventude institucionalizada, famílias negras, território, direitos.



Minicurso 05 - As práticas religiosas das religiões afro-brasileiras no espaço público. Ritos, ethos e tradições


Elza Aparecida de Oliveira – Doutoranda em Ciência da Religião pelo Programa de Pós-graduação em Ciência da Religião na Universidade Federal de Juiz de Fora
elzaoliveirabarbosa@yahoo.com.br 


Lucineide Costa Santos – Mestra em Ciência da Religião pelo Programa de Pós-graduação em Ciência da Religião na Universidade Federal de Juiz de Fora 
lucineidecosta@yahoo.com.br 

Dentro do campo da Ciência da Religião as discussões sobre religião e espaço (público) sempre foram muito ricas e propulsoras de debates e novas formar de se pensar o fenômeno religioso, seja na modificação que a religião pode ocasionar no espaço, como o inverso. Sendo as religiões construções humanas, elas possuem a capacidade – ou a necessidade – de se adaptarem. Elas vão, de forma dinâmica, influenciando o meio e sendo influenciada por ele. As religiões afro-brasileiras são um grande exemplo disso, pois sempre sofreram mudanças em relação ao meio ao qual se inseriram após seu estabelecimento no Brasil. No espaço diaspórico brasileiro, essas religiões passaram por significativas ressignificações. A modificação na forma de se cultuar as divindades, de se configurarem e se organizarem social e espacialmente são alguns poucos exemplos de como as religiões afro se transmutaram desde seu estabelecimento no Brasil.

Visto este cenário, a proposta deste minicurso é ampliar a discussão sobre as religiões afro-brasileiras a partir de seu espaço sagrado, porém expandindo suas ações e condutas para além dos muros do Terreiro, ou seja, como se dá a relação espaço sagrado e espaço público, grupo religioso e sociedade, tradição, modernidade e ethos.

Palavras-chave: Religiões afro-brasileiras, Espaço público, Ethos, Espaço, Tradição.


Minicurso 06 - A verdade está na tradição(?): uma introdução ao conservadorismo católico a partir do debate entre Gadamer e Habermas


Me. Paulo Victor Zaquieu-Higino – Doutorando em Ciência da Religião - UFJF 


Me. Thiago Luiz de Sousa – Doutorando em Filosofia - UFMG 

É notória a ascensão de grupos ultraconservadores em busca de hegemonia política nos espaços públicos em nome de valores ditos tradicionais. No Brasil, a religião se tornou elemento crucial: recorrendo aos símbolos e moral cristã, os conservadores constroem seus discursos a partir das releituras que fazem da história do cristianismo, ou seja, da tradição. Entre os católicos, ainda maioria no país, as lideranças intelectuais e religiosas recorrem ao conceito de Tradição para empreender sua guerra cultural contra progressistas e marxistas: “a verdade está na Tradição!” É justamente neste ponto que o conservadorismo católico se apropria de Hans George Gadamer, uma vez que devemos nos aproximar sempre mais da verdade contida na tradição e nos afastar da visão crítica, que oculta a verdade revelada ao tentar identificar o interesse por detrás de toda reflexão. Segundo Jürgen Habermas, Gadamer avalia mal a força da reflexão que se desenvolve no compreender, isto é, em Verdade e Método, ele não submete o que sua hermenêutica revela perante uma crítica, atualizando, assim, os mesmos preconceitos do passado: devemos olhar para o passado com certa suspeita. Assim, nosso minicurso propõe uma introdução ao conservadorismo católico a partir desta crítica de Habermas ao conceito de tradição gadameriano.

Palavras-chave: Conservadorismo Católico; Tradição; Gadamer; Habermas.


Minicurso 07 - Democracia, hierarquia, e a unidade das religiões de mistérios

Ricardo Lindemann - Doutorando em Ciência da Religião (PPCIR-UFJF) 
ricardolindemann@uol.com.br

Cristiane Szynwelski - Doutoranda em Filosofia (PPG-FIL-UnB) – Brasília – DF 
cristianeszy@gmail.com

Este Minicurso abrange o estudo das antigas Religiões, Tradições ou Escolas de Mistérios, principalmente de Elêusis na Grécia e de Ísis, Serápis e Osíris no Egito, e de sua possível unidade, correlações e intercâmbio com o oriente, inspirando origens de regimes de governo. Exemplos se encontram na República de Platão, e também nas formas de descentralização de poder dos Panchayats ou microdistritos da antiga Índia, conforme Dra. Besant comenta em Os Ideais da Teosofia, traduzido por Fernando Pessoa.

As Religiões de Mistérios eram tradições secretas com cerimônias e ritos iniciáticos, organizados num sistema hierárquico, com representações dramáticas e simbólicas, que abrangiam vários temas tais como a origem das coisas, a natureza do espírito humano, suas relações com o corpo e a vida após a morte, etc. Foram abordados principalmente por Mário C. Giordani, M.H. Rocha Pereira, H.P. Blavatsky e C.W. Leadbeater, que as considera como origens da Maçonaria. As exposições serão baseadas principalmente nos autores supramencionados na sequência: Estruturas e Doutrinas Comuns; Sigilo Perpétuo; Democracia e Igualdade Espiritual na Fraternidade Humana; Hierarquia das Iniciações Inspirando Estruturas de Governo; Vida Póstuma e Reencarnação; Mistérios Internos ou Ocultos; Êxtase como Meio de Conhecimento; Causas da Unidade dos Mistérios.

Palavras-chave: Mistérios, Iniciação, Blavatsky, Leadbeater, Platão.


Minicurso 08 - Religião, arte e espiritualidades: Reflexões a partir da liberdade das escolhas de fé e sagrado no espaço público


Nilza Maria Pacheco Borges - Doutora e pós doutoranda pelo PPCIR- UFJF 

Melquisedeque Castro - Mestrando pelo PPCIR - UFJF

O minicurso trata de discutir e refletir sobre religião, arte e espiritualidades a partir das propostas de pesquisas que buscam compreender as várias maneiras de vivenciar crenças e comportamentos inspirados nas novas formas de praticar religiosidades, que atualmente estão desvinculadas das instituições e doutrinas impostas com seus dogmas sobre as escolhas de fé.

Diversas culturas coexistem no cenário contemporâneo assinalando a individualização da experiência religiosa se confrontando e moldando indivíduos na coletividade, na qual as culturas diversas mantêm elementos religiosos, que se contrapõem ou se complementam no mutável e incerto campo religioso brasileiro.

Dessa forma, o curso propõe analisar e pensar as mudanças sociorreligiosas que ocorrem na atualidade, e que nos faz pensar e indagar sobre o fim da era da religião, e também sobre as formas de religiosidades e seus vários conceitos, sugerindo um olhar sobre práticas democráticas de vivenciar o sagrado desvinculado de leis institucionais rígidas e estanques.

Palavras-chave: Religião. Arte. Espiritualidades. Democracia.


Minicurso 09 - Catolicismo popular e catolicismo negro: a expressão das devoções através do uso de objetos, da realização de festas e romarias e da coroação de reis negros


Kelly Rabello - Doutoranda em Ciência da Religião na Universidade Federal de Juiz de Fora
kellyarabello@yahoo.com.br


Mara Bontempo Reis - Mestranda em Ciência da Religião na Universidade Federal de Juiz de Fora marabomtempo@yahoo.com.br 

O Catolicismo Popular no Brasil traz em sua gênese a relação do fiel com o santo, seja ele reconhecido ou não pela igreja. A religiosidade popular é vivida empiricamente por seus devotos e se apresenta em constante transformação, sendo reelaborada e (re) significada de forma espontânea, contrapondo-se ao catolicismo oficial. A expressão destas devoções envolve a sacralização de objetos, a realização de festas, romarias, entre outros modos de dialogar com o sagrado. A devoção popular está presente, também, em comunidades negras que cultuam seus padroeiros através de características peculiares, que dialogam os princípios do catolicismo oficial com as tradições religiosas afro-brasileiras, resultando em um Catolicismo Negro. Abarcando estas temáticas, este minicurso propõe apresentar algumas teorias lançadas sobre os conceitos do Catolicismo Popular e do Catolicismo Negro e aplicá-las em estudos de casos específicos, a fim de fomentarmos discussões para uma melhor compreensão dos fenômenos religiosos. Portanto, buscaremos compreender o processo de construção do mito religioso que transformou a leiga Floripes Dornelas de Jesus – Lola em santa por seus seguidores, mesmo ainda sem o reconhecimento oficial da Igreja. Apresentaremos, também, discussões acerca do Congado mineiro, de suas festividades em devoção à sua padroeira e a entronização de seus reis negros.

Palavras-chave: Catolicismo popular; Catolicismo negro; Congado; Lola. 


Minicurso 10 - A interdisciplinaridade dos mapas mentais: combatendo a intolerância religiosa na sala de aula


Denise David Caxias 
Doutoranda em Geografia/ UFPR 

Júlio Guills Mattos dos Santos 
Mestrando em Educação/ UFF 

Este minicurso se propõe a apresentar uma metodologia de trabalho que contribua no combate a intolerância religiosa e que possa ser aplicada em diversos contextos sociais: os mapas mentais. Esta metodologia foi criada por uma geógrafa cultural que trabalhou em sua tese com diversas representações da cidade. A fundamentação da metodologia é no âmbito cultural-humanista, onde as representações ganham destaque. A proposta do GT é apresentar as bases teóricas da metodologia (BAILLY, 1995; KOZEL TEIXEIRA, 2001, 2009, 2010, 2013, 2018, 2019) e suas aplicabilidades nas ciências humanas e sociais (GALVÃO, 2007; MATOZO, 2009; MALANSKI, 2013; TORRES, 2014; TEIXEIRA, 2016; CAXIAS, 2018; CAXIAS, SANTOS, 2018). “Os mapas mentais como construções sígnicas requerem uma interpretação/decodificação, lembrando que estão inseridas em contextos sociais, espaciais e históricos coletivos referenciando particularidades e singularidades (KOZEL, 2010, p. 2) ”. Neste sentido, buscamos através dos mapas, compreender os processos de intolerância religiosa e cultural e construir soluções distintas (apresentaremos algumas propostas já realizadas pelos autores) para o processo de ressignificação da religião “intolerada”. A ideia do minicurso é que essa construção (ressignificação coletiva do objeto “intolerado”) possa ser realizada em salas de aulas, palestras, cursos, minicursos, dentre outras formas de comunicação onde haja possibilidade de feedback.

Palavras-chaves: Mapas mentais – Percepção – Religião – Intolerância Religiosa